Páginas

29 de abril de 2015

i gave it all

talvez não haja amor. eu quero-te mais do que preciso de ti. talvez seja apenas a saudade a bater de vez em quando. talvez nem haja ressentimento. voltas? eu esperava. havia dias sufocados. havia dias que só o respirar custava. o ar colossal a entrar e a sair. doía pensar que deixaria de sentir a minha respiração para sentir a tua, ofegante. 
talvez nunca tenha havido amor. seríamos apenas corpos vãos. o interligar raro e raso de duas pessoas pronunciando melancolia e entrelinhas alguma felicidade. 
perguntei-me várias vezes por ti. perguntei várias vezes o que seria de mim sem ti. foi uma piada não ter tido tempo de recuperá-lo. de te ter de volta nos meus braços. engraçado como achamos sempre que temos tudo no controle. 
talvez não fosse amor. não viver sem o teu nome misturado no meu. sem passar por lugares comuns sabendo que em cada um havia um pedaço da nossa história. lembras-te quando costumávamos passear sem rumo? de janelas abertas para sentir o ar puro dos recantos do pequeno paraíso. de quando era felicidade cruzarmos o olhar e sentir tudo como se fosse a primeira vez. 
às vezes pergunto-me para onde foi a tua direcção quando a minha rosa dos ventos eras tu. 
talvez fosse brincadeira. toda a partilha e conforto. todo o sofrimento e viagens precoces. todas as palavras ditas no silêncio de um beijo. ou de um abraço. ah, como tenho saudade desse teu calor. desse teu canto que só a mim me entendia. desse teu lugar mágico escondido que apenas alguém tão estúpida como eu conseguia achar. 
talvez não tenha sido de todo verdadeiro. todo o toque instalado na pele nua e suave. todas as descobertas feitas na inocência de querer viver mais do que se pode. mesmo quando não se pôde por não se poder, mesmo que o querer estivesse no auge de todo o sentimento. 
o desvanecer de anos que pareciam décadas. o desencaixar imperfeito daquilo que era para mim algo perfeito. 
mas talvez não devesse ser assim. toda esta minha utopia de ter encontrado o amor e de realmente amar alguém no seu conjunto, e amar cada defeito como sendo uma qualidade previamente assistida. engraçado como não tive tempo sequer de progredir na minha afectuosidade por ti. como de repente te mostraste uma estranha para mim, como se de repente a partilha de um simples caminho em sentidos contrários te assustasse e a melhor solução fosse caminhar em passeios diferentes. nunca sabemos qual vai ser a reacção do choque em cadeia proporcionada pelos orgãos dos sentidos. 
já esqueci o teu cheiro, não sei mais o que é tê-lo comigo. ironicamente, quando estou quase a esquecer a tua voz ou o teu sorriso teimas em aparecer para me mostrar ou talvez não de que não o devo fazer. não que o queiras de facto fazer. mas parece que essa recordação feliz não pode passar a ser uma memória esquecida. 
talvez tenha sido um momento propício para ti. não penso em ti todos os dias. sei perfeitamente que estou melhor agora que estou sem ti. consigo senti-lo ao mesmo tempo que sinto o vazio que me deixaste já lá vai algum tempo. engraçado como dizem que as coisas e as pessoas mudam. curiosamente, sempre achei que essa parte fosse para ser aplicada a mim. havia dias que te odiava por te amar tanto. ou por achar que o meu amor por ti era deveras infinito. 
hoje ainda te escrevo. sem tu saberes, porque nem te deve fazer diferença o que faço da minha vida. assim como não me faz o que fazes da tua. tapo os meus olhos do sol, para me enganar a mim própria e lá de vez em quando ele encadeia-me sem esperar. 
talvez sejam daquelas crises que as pessoas tem de vez em quando. por tanto tempo sentirem que são de alguém quando de facto não somos de ninguém. o sentimento de pertença é a ilusão de segurança e ela não existe. mascaramos o amor com palavras deliciosas e amorosas. como ele deve ser realmente. mas o amor não presta. o amor só nos fode. 
talvez ainda me pergunte se te lembras. da história que construímos da forma mais natural e subtil que eu já conheci. se te lembras das carícias que trocávamos e dos beijos escondidos que partilhávamos. pergunto-me se o primeiro beijo te continua a mexer com as borboletas como de vez em quando o faz comigo. se a lembrança da primeira promessa perdura como o tão enunciado para sempre era dito através do teu infímo olhar. 
talvez seja de estar demasiado triste com a vida. e me lembre do bom que tinha antes de conhecer o que é demasiado mau. o que é realmente triste. se calhar tenho saudades do que já fui e do que nunca soube ser. daquilo que tive ou nunca soube ter. talvez tenha percebido que foste a melhor coisa que eu tive e também a pior delas todas. 
talvez tenha finalmente admitido para mim própria que amar-te foi o erro mais bonito que cometi. e talvez a minha falha tenha sido a falha necessária para perceber que amar é bonito quando se ama todos os dias, sem falhar. quando se quer perfeição em tudo o que se faz e demonstra. porque ninguém é de ninguém e ninguém espera que alguém espere por nós. 
talvez tenha sido um erro falhar dessa forma. 

......ou talvez tenha sido apenas a direcção errada. talvez tenha sido o tropeço mais estúpido que dei e  aquele que menos me arrependo de dar. e eu continuo sem saber porquê. o porquê de tanta coisa que fica apenas por explicar. talvez um dia venha a perceber.
até lá, eu dei tudo de mim. talvez tenha sido apenas eu. who knows. quem disse que tu querias isso tanto quanto eu? ninguém. 

eu dei tudo. parva que sou.

infindável o amor que quebraste. jamais saberás. 
jan15' pg 


Sem comentários:

Enviar um comentário