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23 de julho de 2016

Bye bye bye

Há algum tempo que não escrevo. Talvez porque até então a minha vida tivesse sido um rodopiar em espiral sem escape para pausa no tempo. Dir-me-iam que sem rigor e sacrifício não há sucesso. Eu acreditava na sorte de poder escolher uma forma mais fácil de fugir ao difícil. Sorte a minha ter achado que algum dia construiria um castelo sem ajuda. Foi difícil, e é por isso que, ainda hoje aqui, deitada, nos meus aposentos temporários, sinto que está a acabar uma das fases mais difíceis, trabalhadoras, inspiradoras também, e bonitas da minha vida. Aqui aprendi que para querer mais é preciso transpirar muito, é preciso batalhar muito contra a maré, e quando eu achava que já estava tudo acabado, não haveria volta a dar, a sorte virou-se para mim e disse "fecha os olhos e vê". E eu vi-me. Vi-me de forma tão firme como me vejo quando tenho de me levantar todos os dias a hora que não quero. Há hora a que alguns ainda se estão a deitar depois de uma noite fenomenal. À hora a que alguns estão a sair para ingrenar numa nova aventura, quiçá viajar. E eu, como teimosa que sou, também me levanto como me levantei durante estes quase 9 meses, há procura de uma nova viagem, um novo trilho no mesmo caminho com apenas um destino: a vitória de poder concretizar um sonho. De me realizar enquanto ser humano e mulher que sou. Daqui a alguns dias serei feliz na minha terra, tenho a certeza. 
Vou ser sincera, não acredito ainda na construção que se planeia há tanto tempo e só agora se veem alicerces a subir devagar. Mas de uma coisa eu tenho a certeza: o que vivi, o que aprendi, o que suei, o que chorei. Isso fica, para sempre, gravado na memória, e mesmo que algum dia ela se lembre de esquecer, o coração grava a memória de 9 meses únicos, como nunca alguma vez pensei.
Agora eu entendo quando me diziam que os sonhos eram uma construção interna. Mais do que tudo vai da vontade de querer ser mais e melhor. Agradeço hoje a quem me impulsionou a entrar nesta vida ingrata mas que tão bem me faz sentir. O que posso dizer é que, no meio de tanta coisa má, eu aqui sou feliz. Os medos passaram a ser apenas medos, porque enfrentá-los era a única forma que eu tinha para dar um passo em frente. E eu nunca desisti de tentar quebrá-los. 
Quando o cansaço do corpo não nos deixa pensar com a mente vazia de pensamentos inconstantes, quando o mundo parece virar contra nós, porque abrimos uma porta e a corrente de ar vem e teima em fechá-la contra as nossas forças, é aí que tu sabes que já saltaste a tua zona de conforto e tens febre de mais. Mais sonhos, mais vida, mais sorrisos. Sabes que é o que queres quando passas a ver tudo do outro lado. Quando já não falas de novelas ou filmes, quando até o ritual da música nos tempos mortos era o teu hobbie favorito. Quando as tuas conversas são mais sobre aquilo que fazes do que com outro tipo de assunto. Sabes que és aquilo que queres ser quando sentes que estás a sentir o que querias sentir há muito tempo. Quando o teu cérebro desliga por poucas horas porque são nessas horas que tu dás descanso ao corpo à espera de um novo dia para voltares a fazer tudo de novo, over and over again. É tudo mais quando só nós atravessamos nos menos. 
O pensamento é só um: a amizade é tudo, até no trabalho. 
O amor, esse, anda comigo de mãos dadas todos os dias.

"O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. Não dói, não descora, não abate – mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma." 
Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego 


Até já,
- [ ] P.

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